*Por Izio Mazur, Cirurgião-Dentista

A cada ano surge uma nova geração de adesivos e você é tentado a acreditar que se trata de uma novidade. O dentista clínico-geral muitas vezes não tem tempo, nem meios, para saber se algo mudou de verdade além da embalagem e da propaganda. Como desenvolvedor e formulador de materiais afirmo que novidades deste tipo são mais raras do que se pensa, e isso vale para quase todos os materiais.

A última grande novidade em matéria de adesão, comercialmente viável, foi o agente 10MDP, patenteado pela Kuraray há cerca de 30 anos. Claro que outros agentes foram desenvolvidos após, mas nenhum deles mostrou maior efetividade. Também deixo de fora as moléculas novas, sintetizadas em laboratório à nível meramente acadêmico, e que não são comercialmente viáveis ou também não se mostraram superiores ao 10MDP. Isto posto, saiba que fórmulas híbridas, associadas a agentes conhecidos como o silano, por exemplo, também não chegam a ser uma novidade surpreendente.

É preciso cautela ainda com informações do tipo “nova fórmula” ou “agente modificado”, pois costumam ser mais do mesmo, apenas com nova roupagem.

A primeira formulação de adesivo dentinário, surgida em fins dos anos 70, exigia 3 passos de aplicação, onde o primeiro passo era para o ataque ácido, o segundo passo para aplicação do primer e o terceiro para aplicação do bond.

Anos depois vieram os de 2 passos. Nesta apresentação o primer foi misturado ao bond. Este tipo de adesivo exige um passo para o ataque ácido e outro para aplicação dessa mistura primer-bond.

Mais recentemente surgiram os de 1 passo onde ácido, primer e bond estão juntos numa mesma formulação e são aplicados de uma única vez. Segundo os especialistas ele faria o papel simultâneo de ataque ácido e adesivação. O que se sabe é que a sua efetividade em esmalte é muito baixa, o que vai te obrigar a acrescentar um novo passo, o do ataque ácido. Pronto, lá se foi a promessa de economizar passos, o que não é nenhuma tragédia pois o ganho de tempo proporcionado por estes adesivos situa-se na ordem de 2 ou 3 min. Sinceramente não vejo vantagens nisso frente ao custo do material. Sou da opinião de que nem sempre a eliminação de passos é um bom passo.

Embora exista uma propaganda milionária para convencer o mercado sobre as vantagens desses adesivos de 1 passo, cujos preços obviamente incorporam o custo dessa campanha, há evidências sugerindo que talvez esta não seja a melhor opção dentre os adesivos. Os adesivos de 2 passos, embora com custo menor, também seguem pelo mesmo caminho.

A melhor opção continua sendo os adesivos de 3 passos, isto porque, além de não contar com os problemas dos outros tipos de adesivos, ele é o mais efetivo para vedar a dentina contra a umidade proveniente dos canalículos dentinários. Essa umidade tem sido associada à destruição da camada híbrida, ou zona de adesão, e a razão pela qual falhas adesivas têm sido observadas após 2 anos de aplicação. O vídeo abaixo mostra bem como isso acontece.

Com base nesses princípios desenvolvi o adesivo de 3 passos Dry&Wet Bond. Ele incorpora o 10MDP e serve também para uso em dentinas secas. O seu custo não é elevado uma vez que vem com 16 ml, quase 4 vezes mais do que a maioria dos adesivos do mercado, supostamente mais baratos. Ele pode ser usado com ou sem luz. também serve para dentinas úmidas (dentes vitais) e dentinas secas (dentes não vitais). Para saber mais sobre ele clique aqui.

Assista também o vídeo animado abaixo sobre adesão, e entenda porque os adesivos de 3 passos são os melhores.

Seja sempre bem vindo ao meu blog! Toda semana uma novidade para você.

* O autor é professor de Dentística Restauradora, pesquisador e desenvolvedor de tecnologias inovadoras em odontologia. Sócio-fundador da Superdont Ind. e Com. Ltda, responde pela Pesquisa e Garantia da Qualidade na empresa. Desenvolveu diversos materiais odontológicos inovadores e protocolos cínicos. É autor dos livros “Odontologia com Fibra – Atlas de Compósitos Reforçados, 2003″ e Odontologia com Fibra – Guia Prático de Aplicações Clínicas”, 2011″. Possui mais de 1000 palestras ministradas em todo o Brasil.”

One thought on “ADESIVOS DENTINÁRIOS: O QUE A PROPAGANDA NÃO REVELA

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