Conheça o protocolo que evita esse problema.

*Por Izio Mazur, Cirurgião-Dentista

Você já deve ter assistido diversos cursos mostrando protocolos para manuseio e cimentação de pinos de fibra de vidro. Via de regra parece haver uma certa convergência nos métodos. Respeito todos eles, bem como as opiniões advindas de renomados profissionais. Infelizmente nenhum desses protocolos ensinados até hoje me serviu. Problemas como desancoragens e infiltrações continuaram ocorrendo. Como pesquisador e desenvolvedor, não apenas de materiais, mas de técnicas e protocolos, aprendi a utilizar o método binário problema-solução.

PROBLEMA:

Muitos profissionais utilizam adesivos hidrofílicos e fotopolimerizáveis para uso dentro de canais. A maioria não se dá conta disso por imaginar que todos os adesivos têm as mesmas propriedades. Ora, quem leu o meu post sobre dentinas secas sabe que tais adesivos são inadequados para uso dentro de canais onde a dentina é seca e a luz do fotopolimerizador não alcança.  Outros profissionais preferem usar cimentos auto-condicionantes, que dispensam adesivos, mas talvez desconheçam que sua adesão requer uma presença abundante de fibras colágenas, que estão presentes em quantidades ínfimas dentro dos canais.

Minha opinião “fora da caixinha”, aponta para a necessidade de se buscar, além da adesão, uma retenção mecânica dentro dos canalículos, algo que só se consegue com adesivos líquidos e não com cimentos pastosos. Essa opinião, “fora da caixinha”, também diz que devemos produzir retenções adicionais no preparo da raiz para dificultar mecanicamente o desprendimento dos pinos.

A justificativa dos protocolos tradicionais estão fundamentados em algumas evidências científicas e na literatura. Ninguém deveria ser desmerecido por se basear nisso, mas também entendo que quem pensa diferente do consenso comum também merece um tratamento respeitoso. Einstein, Freud e Steve Jobs mudaram a humanidade e revolucionaram suas áreas de atuação exatamente porque ousaram discordar da unanimidade.

SOLUÇÃO:

Para enfrentar esses problemas desenvolvi produtos e um protocolo diferente, baseado no desenvolvimento de um adesivo hidrofóbico (para aderir melhor em superfícies secas) e autopolimerizável (para não depender de luz).  Essa solução tem se mostrado muito eficaz há cerca de 10 anos. Em resumo, eis a sequência simplificada:

1- Remoção da guta com broca de gates (as de número 2 ou 3 atendem a quase totalidade dos casos);

2- Leve e sutil alargamento com broca de peeso ( geralmente as de número 2 ou 3 também resolvem quase tudo);

3- Com uma broca de retenção do kit Pontas Diamantadas série retenção (ver filme no final do post), fazer retenções mecânicas no preparo junto ao terço cervical do conduto. Este é um dos passos mais importantes.

4- Ataque ácido por 1 min;

5- Lavagem e secagem total;

6- Aplicação do adesivo hidrofóbico e autopolimerizável Bond Super. Em seu lugar serve o Dry&Wet Bond (frascos B + C). Não precisa de luz para endurecer, isso vai acontecer sozinho em poucos minutos. Não esperar a polimerização sob pena de fechamento da luz do canal. Aplicar imediatamente um cimento resinoso dual tipo Superpost Cement ou Superpost Core Cement.

7- Após a inserção do cimento resinoso colocar o pino de fibra de vidro. Recomendo os pinos da família Superpost (ver diversos modelos clicando aqui);

8- Após a acomodação do pino proceder à fotopolimerização do cimento. Ele vai endurecer juntamente com o adesivo e formar um corpo único pino-cimento-adesivo-dentina.

Desde que desenvolvi esse protocolo jamais tive um pino de fibra desprendido bem como detectado infiltrações. Esta também é uma evidência que não pode ser ignorada. Mais ainda, já realizei testes mecânicos de tração mostrando o ganho formidável de retenção com esse protocolo. Se você quer saber mais, assista o vídeo abaixo de poucos minutos e tire as suas conclusões. Pense você também “fora da caixinha”!

Seja sempre bem vindo.

* O autor é professor de Dentística Restauradora, pesquisador e desenvolvedor de tecnologias inovadoras em odontologia. Sócio-fundador da Superdont Ind. e Com. Ltda, responde pela Pesquisa e Garantia da Qualidade na empresa.  Desenvolveu diversos materiais odontológicos inovadores e protocolos clínicos. É autor dos livros “Odontologia com Fibra –  Atlas de Compósitos Reforçados, 2003″  e Odontologia com Fibra – Guia Prático de Aplicações Clínicas”, 2011″. Possui mais de 1000 palestras ministradas em todo o Brasil.”

6 thoughts on “SEUS PINOS DE FIBRA DE VIDRO SOLTAM?

  1. Boa noite.

    Muitos dos casos temos que fazer o reembasamento/reanatomização do pino com resina composta.
    Como usaríamos essa técnica?

    Obrigado

  2. Foi dito que dentes desvitalizados tem o conduto/dentina seca. Mas se o canal foi tratado recente, ela secaria em uma semana?.. Quante tempo levaria para termos uma dentina seca?

    Obrigado

    • Dr. Gabriel, desconheço a relação de tempo para secagem total da dentina. Via de regra o que vc disse está correto, mas após a desvitalização a perda de umidade é suficiente para descaracterizar a dentina como úmida, uma vez que os canalículos deixam de estar repletos de fluídos, ainda que reste traços de umidade. O que caracteriza a umidade da dentina são os canalículos cheios de fluidos.

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